escritos e rasurados


O MEDO DE SER LIVRE QUE CARREGO

SÓ NÃO É MAIOR DO QUE O MEU EGO

PORQUE NÃO NEGO



Escrito por claudia dorey às 17h19
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MUDE

Maria era uma mulher que como tantas outras sonhava com a entrada da plenitude

mas seu ventre foi preenchido e no açude sussurraram no seu ouvido:

MUDE

Maria era uma mulher que como tantas outras acreditou em um comando dado

não sabia muito bem de onde vinha

não olhou pro lado

empacotou sua vida e botou pra vender no supermercado

do lado dos cotonetes

Largou seu emprego de garçonete

gritou no vale do eco

que de agora até adiante

nada seria mais brilhante do que os olhos que aguavam

Não sei bem se choravam

não sei bem se sorriam

sei que olhavam

e ao olhar se descobriam

Maria não sabia que nem a nudez completa ainda a cobriria

tirou toda roupa

se sentiu tão vazia

que o vento que a invadia gelava

De pelada vestiu-se

sem muito luxo, mas com capricho

e percebeu que o bicho que anda nas pontas dos pés

caminha no lixo

Tirou os sapatos

beijou a terra com a sola

resolveu ir embora e nunca mais voltar

Hoje, em algum lugar de mim

Maria ainda mora

só que agora já não chora de tristeza

sabe que não tem volta nem partida

sabe que só tem ida.

Escrito por claudia dorey às 17h17
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AULA DE NATAÇÃO


é como se a folha tivesse esperado ser preenchida

rabiscada

é como se a árvore oferecesse seu corpo

suas raizes

para ser brutalmente transformada

é como se agora fosse tudo que eu nem imaginava

nesse instante

não me falta nem me cabe mais nada

é como se a fome fosse um nome que não me mata nem me come

um nome que some com a página virada

com a palavra falada

com um gesto e quase nada...

estou aprendendo a nadar

Escrito por claudia dorey às 17h06
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Sao seus olhos que me seguem quando nao te vejo

é sua boca que me molha enquanto fecho os olhos

hoje acordei e voce estava

ontem tambem

e todos os dias desde que te conheci

voce mora na pompeia

eu na lapa

sua cama é grande, a minha pequena

acordei as 4

voce estava


aqui dentro


comandando o fogo que me enerva

comandando o vento que me eleva


Escrito por claudia dorey às 21h29
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para claudinha





a água corria ralo abaixo depois de tocar seu corpo


queria eu ser copo e boca


pra te beber diariamente no fim do dia


te preparar pra cama


te deitar nua


te cobrir quente


te umidecer


enquanto fecha os olhos


e abre as pernas


à minha espera



Escrito por claudia dorey às 13h25
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ato

Venho tentando escrever ja faz um tempo,


tento chamar as letras, imantar as palavras,


leio uma frase e apago.


Nada sai



Alguem de fora me acompanha enquanto tento


Alguem de fora critica alguem de dentro


Escrito por claudia dorey às 13h21
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pessoas

Hora passa marcada

Espero


Custa a hora


Pago


Recebo quase tudo


Como


Paciente calada


Gosto das palavras minusculas


Gosto das pessoas do mesmo tamanho


Escrito por claudia dorey às 13h20
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SABE

Sabe quando a agua toda seca
quando o horizonte esconde o porto
quando o poço nem fundo tem

sabe quando agente olha pra frente
e vê muito mais do que se viu
inventa tudo que nunca existiu

poder há entre nós
os dias são um só
andar só
prazer de andar


se vê de perto
de longe se avista
cada vitoria
uma devida conquista
saída de emergencia
para as minhocas da mente
um passo atraz e três para frente
caminho aberto para os passos
olhar desperto
oasis para todo deserto


poder há entre nós
os dias são um só
andar só
prazer de andar



Escrito por claudia dorey às 13h19
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cabe

Cabe tudo no mundo
Que alivio
Cabe até eu que pensei que eu nao caberia

Cabe cabide cabe cabra macho cabra femea cabe calçado pé descalço cabe asfalto grama cabe grana que nao acaba mais caldo de cana cabe falta do que nao se é capaz de fazer ou que se faz e nao se deixa perceber ou que se perde para alguem achar ou que se pede pra pra sempre ficar ou que se olha e se pode tocar ou que se ama o que se ama

Cabe tudo no mundo
Que alivio
Cabe até eu que pensei que eu nao caberia

Cabe seu mundo no meu cabe minha boca na tua cabe sua lingua na minha e eu toda nua e vc sem roupa ou com muito pouca roupa ou com muita roupa dependendo da temperatura cabe a altura que nao posso ver cabe segredos que nao pode mais me esconder e tudo aquilo que nao pode conter ao me encontrar e tudo aquilo que é melhor deixar rolar cabe aqui cabe longe cabe horizonte cabe parede cabe rede cama mesa cabe toda incerteza cabe todo movimento com o seu concentimento cabe todo caminho com o seu coraçao cabe sim cabe não cabe quem sabe talvez cabe tentar mais uma vez cabe inferno astral cabe tensao pre mestrual cabe soluço num suspiro cabe ar e fumaça a cada espirro cabe saude ao pensar que vc está pra chegar cabe a eternidade ate o nosso proximo encontro cabe estar pronto ou se preparando cabe alaude no samba ginga de bamba no maracatu cabe cru cozido frito queimado cabe sal doce flor foice segundo terceiro cabe primeiro você porque tinha que ser assim porque tinha que ser

Cabe tudo no mundo
Que alivio
Cabe até eu que pensei que eu nao caberia


Escrito por claudia dorey às 13h18
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Meu perfil
BRASIL, SAO PAULO, Mulher, de 26 a 35 anos
MSN - doreyclaudia@hotmail.com
Histórico
  23/07/2006 a 29/07/2006
  09/07/2006 a 15/07/2006
  02/07/2006 a 08/07/2006


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